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Não deixe a porta aberta.

Ontem o Passado veio tomar um chá. Deu duas leves batidas na minha porta. Toc toc. Atendi pelo olho mágico, tentando fazer um reconhecimento prévio. Será que deixo entrar ou cancelo tudo por aqui mesmo? Perguntei-me exaustivamente.

Então, sorrateiro como Passado é, cantou – me a mais bela das serenatas. No começo, resisti e só escutei poucas notas. Grande erro. As notas foram tornando-se melodia aos meus ouvidos, e logo estava cantando a canção.

Logo, a porta estava aberta e o Passado estava sentado no sofá com os pés na mesinha de centro, pedindo que eu alcançasse uma cerveja para ele. E que estivesse bem gelada, claro.
E o nosso chá? Indaguei. E com um sorriso torto o Passado me disse para parar de reclamar e beber com ele.  E esperto como é, sabia que eu não resistiria à companhia dele.


Não havia uma hora de sua chegada e o Passado já tinha me ganho. Inundou-me de risos e lágrimas. Me fez acreditar que sem ele não iria conseguir continuar. E do nada, levantou-se e foi embora. Sem adeus, sem um beijinho de boa noite. Semana que vem ele volta. Ele tem ciúmes demais do Futuro para não voltar.

Comentários

Anônimo disse…
Anjo, esse foi demais ein!
Sabe aquilo de texto universal? pois é, beeem isso. Fala com os nossos mais profundos sentimentos, de todos nós que temos coração.
Senti saudade de ler teus escritos.
Beijim, seu amigo aqui do norte, haha
@henriqueandradi
amanda vieira disse…
Ah seu lindo, obrigada mesmo <3
Fernanda Castro disse…
Ei, que texto legal... Você tem talento... :)
Unknown disse…
Oi, ficou lindo o seu texto. Você escreve muito bem.

Beijos.

http://livrosleituraseafins.blogspot.com.br
amanda vieira disse…
Obrigada Feranda e Ana, fico muito feliz pela visita e pelo feedback!

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