quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Esta não é uma história de amor.


Encontravam-se todos os dias na faculdade. Cruzavam sempre o mesmo corredor. Um dia quase se trombaram em uma escada, ela abaixou a cabeça envergonhada e seguiu em frente. Tinha apenas murmurado uma desculpa, que provavelmente, ele nem ouviu.
A rotina era sempre a mesma, sempre encontrando- o pelos corredores sem nada a dizer. Ela o achava bonitinho, mas nem sequer sabia o seu nome. Jamais iria se apresentar para um cara aleatório.
  Só sabia que era apaixonada pelo seu perfume. Ficava inebriada por ele cada vez que se esbarravam. Na sua cabeça, aquilo seria apenas mais uma de suas paixonites.
Um dia, após muita insistência de sua amiga, resolveu ir a uma festa. O encontrou lá. Em meio à roda de amigos, acabaram entrando em uma conversa só deles.  A química fora tão natural, que se espantaram por nunca terem conversado antes.
Descobriram que gostavam de várias bandas iguais, da queda por reality shows babacas, que ele gostava de ler e ela de fazer shows quando ninguém estava vendo.
Durante a festa que se desenrolava e vários copos que iam ficando vazios, a sua inibição ia embora também. Perdeu a conta de quantas vezes pensou em beijá-lo naquela noite, porém quando estava perto de fazê-lo, desistia.
Logo percebeu a amiga chamando para ir embora, e com um sorriso educado despediu-se de todos. Para ele, ficou a promessa de continuariam aquela conversa posteriormente.
Mas, a timidez sem ajuda do álcool fez das conversas de universidade mais esparsas, com um tom mais comedido. Muitas vezes, lhe faltava até mesmo coragem para cumprimentá-lo. 
O ano passou, eles namoram pessoas diferentes, mantiveram uma amizade de corredor. No final do semestre, ele conseguiu seu diploma e viajou para a Europa.

Cada um seguiu seu caminho, trocavam algumas mensagens de vez em quando, mas não foram mais do que amigos. Ela sabia melhor que nem todo amor era feito para durar. E este era um deles. 

terça-feira, 27 de maio de 2014

Fastio


Buscou dentro de seus relacionamentos vazios, mas nada encontrou. Voltou a trás, tentou novamente com todos os homens de sua vida e nada. Afundava-se cada vez mais sem saber o que queria.  Funcionava como um relógio voltando, talvez porque já não soubesse mais como ir em frente. Ali era seguro e nada mais. 
Beijou João, José e Francisco. Quando cansava de João, pra Chico ia. Depois do Chico lá estava o Zé.  Passava por Chico de novo só para chegar até João. Vivia sob um tédio interminável com eles. Mas nunca se deu conta disso. 
Achava importante tentar de novo.  Era seu complexo de salvadora. Sempre tentou ajudar tudo o que via pela frente. Animaizinhos feridos, amigas de coração partido, eletrodomésticos quebrados. E era bem sucedida na maior parte das vezes.
Mas quando era sobre si, não sabia o que fazer. Achava maravilhosa a adrenalina de seus relacionamentos fadados ao fracasso. Era uma verdadeira montanha russa. Emocionante no começo, mas quanto mais tempo passava ali, mais entediada ficava.
Um dia conheceu Miguel, com quem teve conversas bobas e risadas fáceis. Viajou com ele para o campo por um final de semana. Ele lhe preparava jantares ao som de jazz.  Recitava trechos de Neruda e Jabor. Parecia saído de um filme. Então, conheceu um novo tipo de tédio. Decidiu que era bom demais para ela.

Voltou para o ciclo de Chico, Zé e João. Talvez, pensou ela, sua vida não era demasiadamente vazia. Na sua certidão não era Emma, mas já se sentia Bovary. 

domingo, 13 de abril de 2014

Era uma vez, outra vez.

Era uma sexta-feira à noite, estávamos parados de lados opostos da calçada esperando o regresso de um casal amigo nosso, o silêncio já estava tornando-se constrangedor. Ele repara pela primeira vez que meu cabelo está muito diferente desde a última vez que nós nos vimos, faz uma comparação saudosista, ainda que tímida, de quando eu estava com ele todo bagunçado em uma apresentação da escola.
Por todo o caminho no carro, trocamos apenas amenidades, falamos da dificuldade de nos tornarmos adultos, relembramos apenas situações não muito profundas, tudo muito casual e raso.
Então ele se senta estrategicamente perto o suficiente para que pequenos toques aconteçam. Assistimos o casal da mesa brigar por pequenas coisas e, entre minhas risadas, encontro o olhar dele e lhe pergunto implicitamente se teríamos acabado assim, então ganho como retorno um daqueles sorrisos enigmáticos que mais me enchem de perguntas do que me dão uma resposta.
A conversa de bar acaba virando o nosso típico “café filosófico” e, enquanto debatemos fervorosamente as nossas ideologias à mesa, ele se mantém quieto com aquela indiferença levemente falsificada.
Quando a banda começa a tocar, ele me escuta gritar as músicas como nunca vira antes. É difícil ver em mim a garota que eu era aos dezessete, aquela que está na frente dele é alguém que está sentindo o calor do momento, cantando, dançando, vivendo. Vejo quando ele desvia o olhar, claramente envergonhado por ter sido pego espiando aquele novo pedaço da minha vida.
Naquela noite, eu queria ter dado a ele uma chance. Depois de tantos relacionamentos errados, parecia ideal alguém que me fizesse sentir desejada. E quando a banda anuncia a nossa música não consigo deixar de olhar para trás e encontrar o olhar dele, e dessa vez, eu entendo a pergunta que está ali. Quando ele passa os dedos pelo cabelo loiro e suspira para o teto, eu também entendo que o passado talvez não devesse ter sido reaberto.
No caminho de casa, nos evitamos mutuamente no banco traseiro, encostamos a cabeça cada um em sua janela e ficamos submersos em nossos pensamentos, considerando e repassando tudo o que poderia ter sido e o que deveria ter sido.
Quando estacionamos na porta da sua casa, ele sai do carro sem coragem de me olhar nos olhos, digo um “boa noite” educado, e com tristeza percebo que estamos com o coração partido mais uma vez.  

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Química Perfeita - Simone Elkeles



Sipnose: Os garotos do instituto Fairfiel, do subúrbio de Chicago, sabem que South Side e North Side não se misturam. Assim, quando a líder de torcida Brittany Ellis e o marginal Alex Fuentes são obrigados a trabalhar juntos como parceiros de laboratório na aula de química, os resultados prometem ser explosivos. Mas nenhum deles estava pronto para a reação química mais surpreendente de todas: O amor. Poderão romper os preconceitos e estereótipos que os separam?

Resenha:  Sabe quando você resolve ler alguma autora que não conhece? Então, a Simone Elkeles foi a grande boa surpresa do meu ano passado. Fui sem muitas expectativas ler a série "Leaving Paradise", e que surpresa! Amei a escrita dela.
Foi quando eu resolvi ler "Química Perfeita", e tive outra excelente surpresa. Quando li algumas resenhas desse livro, eu fiquei com medo de ser um livro recheado de clichês. E realmente a autora recorre a alguns deles, mas não faz a história menos interessante. 
A complexidade dos personagens é algo que a Simone consegue elaborar de uma forma clara e ao mesmo tempo, sutil.  Brittany ao mesmo tempo que é uma típica-líder-de-torcida-que-namora-o-capitão-do-time, é uma adolescente que tenta o tempo todo ser perfeita. Manter os esterótipos é o que mais importa para ela e para o Alex, mas quando os dois começam a se envolver,  começam também a encontrar quem são.
O livro é cheio de romance e ação também, e aborda assuntos paralelos que não deixam de ser importantes como a segregação de classe, preconceito, novas chances e autoconhecimento. 
Esse é um dos livros que eu recomendo para quem gosta de fortes emoções e muito drama!