quinta-feira, 23 de março de 2017

As mil formas de dizer adeus

Quase uma década se passou e não resta em mim uma célula ou fio de cabelo que você tenha tocado. Uma vez eu li um texto que dizia que o mais triste de tudo é o fim do amor, mas enquanto eu sentia a dor, achava que isso seria impossível. Mas, um dia você deixou de existir em mim, foi se tornando uma lembrança e um amontoado de memórias desconexas que eu já não consigo segurar em minhas mãos.
Ainda não sei se você simplesmente foi embora ou foi saindo aos poucos da minha vida. Há dias em que eu sinto que você simplesmente pegou as malas e saiu por aquela porta e nunca mais voltou. Em outros, é como você tivesse retirando uma peça de cada vez, um dia uma camisa, no outro seu perfume, até que todas as coisas pequenas e grandes tivessem sido mudadas para fora da minha vida sem que eu me desse conta.
Nas temporadas mais insanas, sinto que você nunca foi embora, que se alastrou completamente por meu corpo e mente de forma que nunca conseguirei te deixar partir completamente. É como carregar um peso morto que vai arrastando a alma e ancorando a tristeza que você me fez sentir.
Nossa história já faz tempo que chegou ao fim, ou talvez ela já estivesse amaldiçoada do começo, mas o que ela nos deixou foi a poesia. Eu permito que floresça em mim onde sua passagem deixou o terreno acidentado. Hoje eu te digo adeus mais uma vez, porque partido também é uma palavra de muitos significados.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Ontem


Ontem o calendário marcou sete anos desde aquela manhã que se fez frio em dezembro. Aquela mesma manhã em que fui teimosa o suficiente para sair de casa sem casaco e você me emprestou o seu. Eu que amo os simbolismos, achei que aquele dia seria, enfim, o começo de algo.
Ontem tudo doeu. Cada fibra do meu ser me lembrando do que poderíamos ter sido e não fomos. Tudo foi inundado de memórias nossas, cada riso e cada conversa. Cada lembrança era um soco ao saber que nunca mais amarei alguém como eu amei você.
Ontem fiquei triste com as minhas coisinhas. Fiquei me sentindo patética por sempre achar que eu finalmente deixei de te amar, mas sempre deixo afetar por essa data. Me afeta tanto que foi difícil até mesmo levantar da cama.
Ontem me deixei afogar na ilusão de nós. Permiti-me sentir todas as dores que cada pedacinho meu coração conhece tão bem. Você sempre soube onde enfiar a faca em lugares de difícil cicatrização. Você queria deixar a sua marca, mas nunca o fez de um jeito bom.
Ontem fez frio de novo em dezembro. Mas hoje, eu levantei e lembrei-me de trazer meu casaco. Lembrei de sentar-se à mesa do escritório e rir das piadas dos colegas. Lembrei de te escrever esse texto, rezando para que se fosse o último.

domingo, 23 de outubro de 2016

Você não sabe dançar

Eu pensei em como eu queria dançar com você. Essa é a ideia mais ridícula que já tive. Você nunca soube dançar. Em uma festa que fomos juntos, você dançou com outras garotas e nem me dei o prazer de chorar, porque era tão ridícula a cena que tive que rir.
Dançar com você é uma ideia ridícula porque para mim isso é um ato de amor. E você só me ama mais ou menos. Você me ama em outras garotas. Cada uma delas tinha um pouco de mim, mas você só amava elas e não eu.
Você me ama na conveniência, quando precisa de alguém para assistir suas peças, alguém que ouça pela milésima vez que você está fazendo a coisa errada. Teu amor é tão (in)conveniente que você nunca está disposto quando te chamo para sair, ou preciso fazer uma listagem completa de quem estará lá, porque parece errado você ser visto sozinho comigo.
Tudo o que eu sempre pedi foi para ser amada por primeiro. Você com esse jeito cool de garoto bonito não consegue me amar por mim. Você está sempre me sugando enquanto ama a mim, sem me amar. Assim eu aprendo que não sei dançar de forma incompleta.